MORRE ZILDA ARNS VÍTIMA DO TERREMOTO NO HAITI
O Centro Loyola manifesta seu pesar ao receber a notícia da morte da Drª Zilda Arns, médica pediatra, fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, ocorrida na terça-feira, 12/JAN, vítima do trágico terremoto que se abateu sobre o Haiti. Drª Zilda morreu ao ser atingida pelo desabamento de uma escola, onde fazia palestra para padres e seminaristas. Ela chegou ao Haiti no domingo (10) e voltaria para o Brasil no próximo sábado (16). O Haiti seria o 11º país a receber a Pastoral da Criança.
Abaixo, publicamos dois textos que recebemos por email e que nos tocaram muito. A nota que o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti divulgou a respeito da morte da Drª Zilda, e uma reflexão de um membro da CVX - São Paulo:
"Diante de uma fatalidade como é um terremoto de tamanha proporção, as consequências são inimagináveis. Todos nós que conhecemos o trabalho fantástico de doutora Zilda e principalmente a pessoa dela, ficamos sem palavras ao ouvir a notícia de sua partida em meio aos escombros. Lamentamos o fato, as circunstâncias em que aconteceu. Ao mesmo tempo deu a vida no país mais pobre, país de miséria, da América Latina. Deu a vida salvando crianças, formando líderes para continuar o trabalho através de ações simples, porém de um poder extraordinário. "
Caros amigos da CVX!
Ainda estou chocado com o terremoto no Haiti. Milhares de mortos, num país que já sofria tanto com a guerra e a pobreza.
Não há como não lembrar de Jó e do quanto é difícil entender o sofrimento, numa sucessão de eventos tristes e catastróficos.
Jó estava sendo testado em sua fé e em sua fidelidade a Deus. Ele tinha uma religião, podia se apegar a algo... E aqueles haitianos que não tinham isso?
Também penso nos nossos irmãos brasileiros que perderam casa e família nos vendavais da virada do ano. E, infelizmente, tenho de dizer que para estes deve ser até pior, pela maior possibilidade de não terem um Deus a se apegarem...
Como manter o sorriso e a esperança num mundo tão confuso e cheio de desgraças?!
Então, me vem outra lembrança: Zilda Arns!
Sim, aí a emoção é outra!... São lágrimas sim, mas de uma tristeza consolada.
Como é bom ver que Deus ainda suscita pessoa s como Zilda Arns, que morreu fazendo o bem pelas pessoas que menos tem...
A morte do justo em meio a tanto sofrimento é algo consolador, pois nos lembra para que estamos aqui na terra...
Sinto-me incomodado com o exemplo da Dra. Arns. Um incômodo inaciano, ou melhor, uma inquietação!
Ela fez tanto, com tão poucos recursos! E eu, o que faço?
Com a Pastoral da Criança, boa vontade, amor e um pouco de conhecimento, ela contribuiu para a saúde de milhões de pessoas. Dados da Mídia dão conta que cerca de 2 milhões de crianças foram salvas por iniciativas da Pastoral da Criança.
Quando o estado brasileiro quase não fazia nada em termos de saúde para as crianças pequenas, ela encabeçou um movimento católico exitoso, fazendo diminuir pela metade a mortalidade infantil em nosso país com ações simples, como o soro caseiro ("um punhado de açúcar, uma pitada de sal e um copo de água"), e com muito respeito e compreensão pela populaçã o pobre, sempre ouvindo primeiro o que os pais tinham a dizer, para só então orientar com dados técnicos que mais pareciam receita de bolo. Graças a tais ações, do terceiro setor, temos hoje uma mortalidade infantil compatível com países de primeiro mundo, o que é espantoso e inimaginável há 3 décadas atrás.
Em contrapartida, na minha área (Obstetrícia), tenho de me envergonhar de termos uma mortalidade materna compatível com a África...
Como eu digo em minhas aulas para os alunos da USP: Os pediatras fizeram sua lição de casa, os obstetras ainda não...
Sem querer me alongar nestas questões técnicas, quero sim dividir com vocês este sentimento: de inquietação pelo exemplo de Zilda Arns.
Ela bem poderia ser um membro da CVX.
Católica, bondosa, atuante...
E para nós, o que falta para ser uma Zilda Arns?...
Isso será sem dúvida motivo de oração para mim por mais alguns dias.
Espero que alguns de vocês poss am me acompanhar.
Primeiro, dando graças a Deus por tudo o que Ele tem nos dado de bom, incluindo o exemplo de Zilda Arns.
Depois, rezando pelos irmãos que sofrem.
E, em terceiro, examinando a consciência para descobrir como posso fazer um mundo diferente, com a ajuda de Deus.
Um abraço!
Marco Aurélio Galletta
CVX São Paulo
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