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A imensidão do vazio
Por medo de perder o que conquistamos, impedimos o nascimento daquilo que deve e quer vir à existência. As nossas preferências e aversões, com o tempo, tornam-se apegos, âncoras que pesam sobre a nossa consciência – isto é, fatores de estagnação – e, portanto, de putrefação – na corrente da Vida que flui constantemente através de nós. A sabedoria que consiste na abolição de todo conflito, de todo sofrimento, consiste em deixar que a Vida flua dentro e ao redor de nós, a Vida que é "nascimento e morte", "surgimento e desaparecimento", indissoluvelmente entrelaçados, unidos em um movimento supremamente inteligente e harmonioso.
O verdadeiro vazio, o vazio essencial, não é a ausência de algo: é uma substância desconhecida, mas perceptível, uma atmosfera particular da qual emanam energia, compaixão e inspiração. É, ao mesmo tempo, repouso e grande força interior, riqueza ilimitada, um fluxo ininterrupto de compreensão libertadora. No verdadeiro vazio interior, tudo pode ser acolhido, incluído e compreendido. Nesse espaço neutro, cada situação, cada encontro, cada evento e cada ser encontram resposta como devem, sem padrões preconcebidos, sem "a priori", sem cálculos, em completa lucidez, imparcialidade e simplicidade.
Quando a mente humana está vazia, livre de todo apego, de toda expectativa, de toda identificação consigo mesma – e com os objetos mentais-afetivos que constituem esse "eu" –, ela é imensa. Não conhece limites. Os limites são impostos pelos objetos, pelo conteúdo ilusório da consciência superficial. Então, nesta imensidão redescoberta, o coração abre as suas asas e entra no reino infinito e eternamente incontaminado da sabedoria atemporal, que é silêncio e beleza.
