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Pensamentos

ESCAVA, ESCAVA...

Data de publicação: 27/05/2026
Texto: Pe. Washington Paranhos, SJ

O verdadeiro Deus não está acima de nós, a não ser no sentido do adjetivo latino altus, que significa, ao mesmo tempo, tanto «alto» quanto «profundo». É a experiência vivida e testemunhada por Santo Agostinho: «Sed melius quod interius»; traduzido como: «Mas mais precioso ainda é o que tenho dentro».

Essa concepção da presença do divino na profundidade humana não é exclusivamente cristã, pois bem antes do cristianismo, ou independentemente dele, a humanidade chegou a vivenciar a dimensão espiritual presente em seu próprio interior.

Sócrates testemunha a manifestação do divino na interioridade humana: «Em mim se manifesta algo de divino e de demônico [...] é como uma voz que me dissuade, sempre que se manifesta, de fazer aquilo que estou prestes a fazer»; Sêneca ensina que a divindade habita na interioridade humana: «Deus está perto de ti, está contigo, está dentro de ti»; o próprio Marco Aurélio: «O deus que habita em ti»; e por isso aconselha: «Escava dentro de ti. Dentro está a fonte do bem, fonte inexaurível se escavares sempre».

Para todas as principais tradições espirituais, aderir à lei que se descobre no profundo de si equivale a aderir à lei que molda e sustenta o mundo, ou seja, àquela dimensão do ser à qual nos referimos tradicionalmente chamando de Deus. Em nossa época, uma jovem holandesa de origem judaica, Etty Hillesum, viveu a mesma experiência, deixando este relato em seu diário no dia 26 de agosto de 1941: «Dentro de mim há uma fonte muito profunda. E nessa fonte está Deus».