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Pensamentos

FAZER A EXPERIÊNCIA DO DIVINO

Data de publicação: 01/06/2026
Texto: Pe. Washington Paranhos, SJ

Deus é uma invenção humana? Sim, certamente. Mas não da mesma forma que um objeto ou qualquer outra criação material. É uma invenção no sentido latino do termo inventio (do verbo invenire), que significa “descobrir” ou “encontrar”. Assim, a “invenção” de Deus é, na verdade, a sua descoberta.

A invenção-descoberta de Deus radica-se na consciência racional de estarmos imersos no mistério. É um mistério que te faz fechar os olhos e a boca: não queres ver nada de exterior, porque sentes que há algo que se te revela por dentro; não queres falar, mas sim descer ao grande silêncio dentro de ti, porque sentes que há algo para ouvir.

A pergunta, a meu ver, decisiva em relação ao Divino é esta: quando um ser humano sente indignação diante do mal, da esperteza desonesta, da malícia, da prepotência e da falsidade; e quando, inversamente, sente admiração e uma comovida empatia diante do bem, da justiça, da pureza e da honestidade – será ele um ingênuo que ainda não entendeu como o mundo funciona? Alguém cego ao fato de que não há sentido algum na história e na natureza, a não ser a luta, a guerra e a sedução (em suma: armas, germes e aço)? Ou, pelo contrário, não haverá aí ingenuidade alguma, mas sim a vivência da dimensão mais verdadeira da vida – uma dimensão que atravessa este mundo sem coincidir com ele, e que por isso se pode chamar transcendência?

Eu penso que a segunda alternativa é a verdadeira.