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Graça e paz
Para nós, hoje, o conceito de graça está relacionado ao âmbito teológico (a graça do Senhor), ao âmbito estético (as figuras clássicas das Três Graças) e ao âmbito jurídico (o instituto da concessão de graça/indulto). Não se deve desconsiderar a circularidade desse conceito, porque falar da salvação de um ser humano significa sempre falar também de sua relação com a beleza e com a justiça.
Com certeza, a graça é algo extremamente importante para Paulo, visto que ele inicia a Epístola aos Romanos desejando-a aos seus leitores: "Graça a vós e paz da parte de Deus" e a encerra da mesma maneira: "A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco", e visto que exatamente a mesma saudação está presente nas suas outras cartas.
Ao desejar "graça e paz", Paulo unia a cultura grega e o judaísmo. De fato, o termo grego para graça, cháris, na forma chaîre, era usado como saudação, como o anjo fez com Maria: "Chaîre, kecharitoméne", em latim: "Ave, gratia plena" (Lc 1,28). E exatamente da mesma forma era e é usado hoje como saudação o termo hebraico para paz, shalom. Paulo, portanto, ao desejar "graça e paz", unia em uma belíssima saudação Atenas e Jerusalém, as duas civilizações das quais nasceu o cristianismo enquanto distinto do "jesuanismo" (Jesus, de fato, saudava dizendo apenas "paz a vós").
