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Atualidades >> Reflexões

Domingo de Pentecostes, Solenidade

Ano A.

Data de publicação: 24/05/2026
Texto: Pe. Washington Paranhos, SJ

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Jo 20,19-23
Palavra da Salvação.


VENTO SOBRE O CORAÇÃO

O Espírito Santo faz coisas que você não espera, com suma fantasia. A nós, doa tudo aquilo de que precisamos para ser uma pequena pastilha de paz no mosaico da vida. Apenas uma pastilha, mas que seja de ouro.

Hoje, a Palavra de Dio ensaia uma sinfonia de linguagens para expressar o Espírito. São frestas simples, pequenas fendas sobre o mistério. O Livro dos Atos nos leva a 50 dias depois da Páscoa; naquele dia aconteceu algo que transtornou os Apóstolos. Um grupo desiludido, de repente, encontra a audácia de enfrentar a cidade que mata os Profetas, pregando abertamente algo inacreditável: “Aquele Jesus que vós matastes, ressuscitou”.

E eles não eram profissionais da Palavra, tinham um vocabulário de pescadores! Era o Espírito com o seu furacão imprevisível, como o estrondo de um vento, um clarão de fogo, vento e terremoto que escancara as portas e as palavras. E a primeira Igreja, entrincheirada na defensiva, é lançada para fora. O vento do Espírito os preencheu a ponto de fazê-los parecer “como bêbados”.

A segunda porta que se abre para o mistério é a do salmo entre as leituras, olhos que olham para longe: “Do vosso Espírito, Senhor, está cheia a terra” (Sl 103). Uma das afirmações mais belas da Bíblia: toda a terra está repleta, cheia, grávida, uma liturgia divina santifica o universo, faz dele um ventre de vida.

A terceira porta de Pentecostes é aberta pela segunda leitura (1Cor 12). O Espírito que consagra a diversidade dos carismas, dos ministérios, das operações, une vidas diferentes, acende vocações distintas, abençoa a genialidade e a unicidade de cada vida. Diversidade é a palavra-chave, e não a homologação (padronização). Cada um, uma pequena pastilha de ouro no grande mosaico de Deus.

O Espírito quer discípulos inventores de caminhos de paz, e não repetidores banais. E se eu faltar à minha vida espiritual, o grande mosaico que Deus vai construindo sofrerá uma desarmonia, uma nota desafinada.

O Evangelho, por fim, conta o Pentecostes na casa, nos remete ao que havia acontecido 50 dias antes: “colocou-se no meio deles, soprou sobre eles e disse: recebei o Espírito Santo e a minha paz”.

O Espírito vem para nos fazer viver, leve e quieto, humilde e obstinado. O Espírito está agindo para que Cristo se torne minha paz, minha língua, minha paixão, minha vida, para que também eu, como o menor dos apóstolos, me torne um pouco como eles: bêbado de Deus, obcecado por Ele, como eram aqueles magníficos monges antigos chamados “os loucos de Deus”.

O Espírito, o vento sobre os abismos, o fogo da sarça, o amor em cada amor, o Espírito Santo é Deus em liberdade, que não suporta estatísticas. Os estudiosos buscam recorrências e esquemas constantes. Dizem: na Bíblia, Deus age assim. Não acreditem nisso. Na vida e na Bíblia, Deus não segue esquemas. O Espírito Santo faz coisas que você não espera, com suma fantasia. Dá a Maria um filho fora da lei, a Isabel um filho profeta. E a nós, doa tudo aquilo de que precisamos para ser uma pequena pastilha de paz no mosaico da vida.