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XII domingo do tempo comum
Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!
Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens,
também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus. (Mt 10,26-33)
Palavra da Salvação.
SOB AS VOSSAS ASAS
Mesmo que a vossa vida fosse leve como a de um pardal ou frágil como um fio de cabelo, para Deus vós valeis mais. Porque viveis, pensais, sorris, amais, criais. Não porque tendes sucesso.
Vós valeis mais do que muitos pardais. Vós tendes o ninho nas mãos de Deus. Como sempre, eis que surge a emoção de imagens que falam de um Deus que faz por vós o que ninguém jamais fez, o que ninguém jamais fará: conta os cabelos da vossa cabeça, ama cada detalhe, cada migalha de vós.
Não temais, não tenhais medo: até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. O mínimo de vós, o nada de um fio de cabelo, para dizer que Alguém vos ama fibra por fibra, detalhe por detalhe.
Contudo, os pardais continuam a cair, os inocentes continuam a morrer e as crianças são vendidas por um tostão, ou são jogadas fora, abandonadas, mal levantaram voo. Mas, então, é Deus quem as faz cair, quem quebra as suas asas? Não, o Evangelho não diz isso; literalmente, usa apenas duas palavras: sem o Pai (áneu, no grego evangélico). Nem sequer um pardal cairá por terra sem que o Pai esteja envolvido. Deus estará lá; Ele se envolve em cada voo, em cada cruz, em cada queda. E quem cai não terminará no vazio, mas dentro do seu abraço.
Ninguém morre sem que Ele morra um pouco; ninguém é crucificado, ninguém é rejeitado, sem que Ele também seja crucificado e ferido.
Deus não quebra asas; Ele as cura, as fortalece, as engrandece... Mas nós gostaríamos de mais: gostaríamos de nunca cair e de voos longuíssimos. A fé, porém, não é um seguro contra os acidentes da vida. Deus salva, e tudo será preservado. Cada pardal, cada fio de cabelo, cada folha de grama, cada copo de água fresca – tudo reencontraremos em Deus, nada se perderá.
Não tenhais medo. O contrário do medo não é a coragem, é a fé. "O medo, porém, não passa por decreto-lei" (C. M. Martini), ou por audácia; passa por uma Boa Nova: nada de vós se perderá.
Tende medo daqueles que matam a alma, daquelas coisas que fazem a vida morrer lentamente. "Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo, quem não caminha, quem para" (M. Medeiros). Não tenhais medo de não valer, de não ter importância, de ter sempre que provar algo, porque vós valeis: vós valeis para Deus, valeis muito mais do que bandos infinitos de pardais, mais do que todas as flores do campo, mais do que eu ousava esperar, muito mais.
A imagem dos pardais e dos cabelos me remete diretamente aos mais frágeis: aos idosos, doentes, pessoas com deficiência, àqueles que não conseguem aguentar, que se sentem inúteis. É precisamente a eles que Jesus repete: Não temais. Mesmo que a vossa vida fosse leve como a de um pardal ou frágil como um fio de cabelo, vós valeis mais. Porque viveis, pensas, sorris, amais, criais. Não porque tendes sucesso.
"Vós valeis e sois importantes" não porque produzis, mas porque existis. E no vosso sopro respira o Senhor da vida.
Senhor, fazei-me sentir a vossa carícia, como um ninho, como um vento que sustenta o voo e dissipa a névoa. Fazei-me sentir a vossa ternura infinita, porque sem ela a alma murcha.
